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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Obras dos Amigos (Boiger e Freyesleben)






















Jacobus van Wilpe por Kurt Boiger






















Ilse van Wilpe por Boiger e Freyesleben (a quatro mãos)






















Helena van Wilpe por Kurt Boiger


















Acácia Mimosa por Freyesleben






















Autorretrato de Freyesleben


(acervo particular)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Jacobus van Wilpe - Um vídeo

Vida e obra de Jacobus van Wilpe: uma seleção de imagens.




Ou acesse aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Desenhos 1935

Durante poucas semanas, em 1935, Jacobus van Wilpe tomou aulas com o grande artista plástico, historiador e paranista Lange de Morretes, em Curitiba. Ko respondia assim aos incentivos de seu cunhado Kurt Boiger, que via no rapaz (então com 30 anos) um artista promissor que deveria abandonar o trabalho pesado em Castro, onde residia, para dedicar-se à carreira de pintor.

Um dia Lange fez a Ko um convite: estava indo para São Paulo, assumir uma cátedra ou um emprego, não sei bem certo, e queria que Ko o acompanhasse na qualidade de seu assistente. Jacobus pensou, pensou, e não foi. Entendeu a situação como um "sinal", um aviso do destino que lhe dizia não ser aquele o seu futuro. Voltou a Castro e retomou a dura rotina na oficina mecânica, mais por medo de não ter como se sustentar na metrópole que por outra coisa.

Se eventualmente se arrependeria de não ter ido, não o sei. Já na velhice, em confidência a seu neto, diria que era o "destino", e que desde cedo se acostumara a relegar a carreira artística a um segundo plano que lhe fosse confortável, na retaguarda da luta pela sobrevivência. Desta história ficaram os desenhos - os únicos que Ko guardaria ao longo de sua vida - e maravilhosas lembranças do carismático professor.

Os que aqui estão correspondem à metade do que foi produzido naquelas semanas. Oportunamente postaremos o restante.












terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Holandeses no Brasil - Nederlanders in Brazilie - Carambei

Nederlanders in Brazilie - Carambei

Link: http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Plaatsnamen/families-in-carambei.htm

Relação das famílias fundadoras da cidade de Carambeí, Paraná, primeira colônia holandesa na região (circa 1911).

Muitos dos nomes povoaram minha infância, e assombram com benevolência minhas tentativas de tornar conhecidas as hsitórias de meu avô Jacobus van Wilpe.

Tags: paraná, carambei, veteranos, vencedor, história, holanda, viagens, vida, genealogia

Gezin Van Wilpe - Kranendonk

Link: http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Familienamen/v-wilpe/gezin-v-wilpe-kranendonk.htm

Link especial para os Kranendonk / van Wilpe.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jacobus van Wilpe e a espiritualidade

Criado na rigidez extrema do luteranismo evangélico, Jacobus era versado na Bíblia, possuia refinado pensamento crítico e ideias próprias.

Sua primeira alegada lembrança era de um grupo de manchas de sangue no piso da cozinha, que sua mãe (Oma Helena) dizia ser anterior à ocupação do apartamento por sua família.

Aos quatro anos de idade, foi instado por seu irmão mais velho, Hermen (de seis), a "aproveitar a ausência dos pais" para fazer um experimento. Foram até a sala, na noite escura, e ao se acercarem da velha (e pesada) mesa de jantar, levantaram-na até mais alto que suas cabeças, apenas com os indicadores de uma das mãos cada, um de cada lado. Segundo Ko, a mesa "parecia não ter peso", e foi só quando entendeu o que acontecia que ele - no susto - deixou seu lado cair com um estrondo. Hermen nada explicou naquele momento e não deixou que Ko jamais tocasse no assunto.

Aos doze anos de idade, Jacobus pintou um cartão-postal em aquarela para seu tio, hospitalizado por uma apendicite aguda, que o devolveu, impressionado, dizendo que tal obra-prima deveria permanecer com quem a criou. Parecia ter pintado por toda vida, já em seu primeiro trabalho. Já pensou se Jacobus houvesse nascido em uma família kardecista, o que pensaria?

Aos quinze veio ao Brasil, onde só descobriu que não falava português - mas sim um caipirês multilíngue, cheio de erros e regionalismos - quando foi à cidade pela primeira vez sozinho, alguns anos depois. Durante o (pouco) tempo em que morou em Carambehy, conseguiu arranjar encrenca com o pastor - um alemão que residia em Ponta Grossa e eventualmente rezava um culto no Templo, reunindo os fiéis das várias denominações que havia na colônia.

Primeiro aproveitou-se da presença do religioso em um aniversário de criança, de um de seus irmão menores - quando com muita dificuldade dona Helena conseguira juntar os ingredientes para um bolo, convidando o pastor após o culto - para expor seus pensamentos sobre o pecado original:

"Imagine o senhor um pai dito amoroso, que ponha dois bolos na mesa e diga aos filhos, crianças: "Deste vocês podem comer, do outro não". Seria justo este Pai? Por acaso Ele não sabe que seus filhos são crianças?"

Depois reagiu com mal humor ao ser interpelado pelo pastor por trabalhar em uma manhã de domingo: "Mas afinal, o sábado foi feito para o homem ou o homem para o sábado?"

Quando já trabalhava como mecânico em Castro - e pintava cartazes para o cinema e o circo, duas de suas paixões - sonhou com um caixãozinho rosa que, na vida real, no dia seguinte, albergou a filhinha de um colega de trabalho.

Fatos como este ocorreram ao longo de toda sua vida, repetidas vezes e sempre de maneira imperfeita, tornando-o incapaz de prever o que aconteceria e com quem, ou onde, ou quando, mas causando-lhe terrível sofrimento. "Não desejo isto para ninguém, Fent" e "não pode ser bom este tipo de coisa, não devemos procurar desenvolvê-lo", dizia ele, reunindo sem saber boas doses de racionalismo ateu, conservadorismo cristão e puro e confesso medo.

Hermen permaneceu na fazenda em Carambehy, ajudando os pais, enquanto Jacó foi fazer a vida mundo afora. Apenas durante a Guerra aquele manifestou vontade de viajar, uma vontade que daria com os burros n'água com a febre que quase o mataria no porto de Santos, nos anos quarenta, quando estava prestes a embarcar como soldado. Jan iria, Franz serviria aqui mesmo no Brasil, como brasileiro que era: já Jacobus... deve ter sido o primeiro holandês a alegar "impedimento de consciência" para se recusar ir à guerra. "O que pode ter contra um camponês ou operário alemão este holandezinho imigrante, há quase um quarto de século no Brasil, para atravessar o mundo e ir matá-lo na Europa?"

Na rotina diária de Hermen, antes disso, porém, carregar a carroça de leite e seguir até a cooperativa em passo lento era tarefa cumprida duas vezes por dia, pela manhã e à tarde. Quando passava pelo arroio, ali onde se diz que há um tesouro enterrado pelos monges, há sempre um deles - pelo menos um - sentado a seu lado enquanto a estrada corta o capão de mato. Quando ela abre para o campo, Hermen estará sozinho de novo. E - óbvio - ficará irritado se alguém questionar; nunca responderá uma pergunta sequer sobre o assunto.

Quando sua filha Karin nasceu, Jacobus negou-se a batizá-la. "Depois de adulta ela poderia escolher sua religião", dizia ele. Quando ela resolveu casar com um rapaz católico e foi batizada ali na Igreja de São José, em Ponta Grossa (a metros de onde Jacó e Ilse viriam a morar até o fim de sua vida), ele não se opôs. Gostava do edifício (“um verdadeiro templo, imponente, clássico, silencioso”) e o frequentou - esporadicamente - com prazer. Gostava de conversar sobre religião, quanto mais se o interlocutor era culto e aberto ao diĺogo, e nunca se furtou a expressar suas opiniões, conquistando assim o respeito de amigos como o Padre Jack (Padre John Petter O’Connell, fundador do Encontro Matrimonial Mundial no Brasil) e o Padre Giuseppe Bugatti (principal nome na criação e expansãão do Instituto João XXIII, principal orfanato da região).

Há um conceito estabelecido entre os van Wilpe: quando um quadro cai da parede sem explicação aparente, alguém morrerá. Não consegui descobrir se este sortilégio acompanha a família desde a Holanda; o certo é que aqui se iniciou nas mesmas circunstâncias em que Ko pre-viu a morte por afogamento de um parente muito próximo.

Quando Jacobus morreu, três de seus quadros estavam em exposição na galeria do Banco Banestado, no centro da cidade de Ponta Grossa, à época tradicional incentivador das artes plásticas na região. A curadora contaria a Karin e Ilse, quando foram lá buscar os quadros, ainda consternadas com o passamento de Ko, que todos os três quadros, um a um em noites diferentes, caíram da parede sem explicação lógica. Nenhum quadro de qualquer outro artista (e eram bem uns quarenta) caiu durante aquele período. Detalhe: ela não sabia da crendice dos van Wilpe.

Meu avô Jacobus nunca me disse se tinha medo de sonhar com a própria morte. Tinha um medo discreto da própria, isto eu sei, pelo tanto de vezes que manifestou-me seu interesse indisfarçável de saber “se havia algo do lado de lá”. E detestava acordar banhado de suor, apavorado, em sua cama ao lado de Ilse, sempre pela manhã bem cedo, antes das seis, tentando adivinhar quem era, e se era mesmo, e esperar.

“Só um café pode me salvar, Ilse”, dizia ao acordá-la gentilmente, para que ela o fizesse. Você entende: o medo paralisa e congela.

(Já o Pe. José Bugatti dizia que Deus é onipotente, comunica-se conosco do jeito que lhe apraz)